Ferramentas do Guionista: O Arco do Personagem

As estórias são, no seu mais essencial, máquinas de gerar emoções, mas as emoções que produzem e os mecanismos que usam para o conseguir variam de umas para as outras. Uma das formas mais satisfatórias de alcançar essas respostas emocionais é fazendo com que os nossos personagens sofram algum tipo de transformação entre o início e o fim da narrativa.

Na realidade, todas as estórias são relatos de transformação. Se nada mudar entre o início e o fim, simplesmente não há uma estória.

Mas parece que quando essas transformações afetam o lado mais íntimo e profundo dos personagens, quando mudam as suas crenças e atitudes, escolhas e comportamentos, também nos afetam mais a nós, os seus espectadores.

Talvez seja porque os nossos cérebros estão, desde tempos imemoriais, treinados para dar uma atenção especial às mudanças; ou, simplesmente, porque a transformação dos personagens nos dá esperança na possibilidade da nossa própria transformação; o certo é que ver um personagem mudar no decurso de uma estória mexe profundamente connosco.

O que é o Arco de Personagem

Num dos artigos do meu Curso de Guião grátis falo das formas de tornar mais interessante os nossos Protagonistas e Antagonistas. Uma delas é, precisamente, dar-lhes um Arco de Transformação.

Refiro nesse artigo que as características de um personagem ” não estão gravadas em pedra, não são imutáveis. Entre o início e o fim da nossa estória ele deve evoluir, transformar-se, aprender qualquer coisa em relação a si próprio. Quanto mais profunda for essa transformação, mais ligada estiver aos eventos da estória, e mais contribuir para o seu desfecho, mais satisfatória será a experiência do espectador.

Convencionou-se designar essa transformação como Arco do Personagem.

O Arco de Personagem é a forma como um personagem se transforma entre o início e o fim de uma estória, em função dos eventos que ocorrem.

Quando, em Avatar, o ex-soldado Jack Sully passa de invasor do planeta Pandora para o seu mais convicto defensor, num percurso que obviamente recorda o do tenente Dunbar em Danças com Lobos, estamos perante um belo exemplo de arco de transformação de um personagem.

O mesmo se passa, mas no sentido inverso, com Travis Bickle, de Taxi Driver, ou com Jordan Belfort, de The Wolf on Wallstreet, cujas descidas para a loucura acompanhamos sempre com enorme fascinação.

A definição de Arco de Personagem pode aplicar-se não apenas aos arcos dos Protagonistas e Antagonistas mas também aos de outros personagens complementares.

Muitas vezes recordamos até mais os arcos desses personagens complementares do que o arco dos próprios protagonistas. Por exemplo, na trilogia O Senhor dos Anéis, os arcos do seu companheiro Sam e do príncipe Boromir são, quanto a mim, tão interessantes quanto o do protagonista Frodo.

Sam começa a estória como um personagem simples e bem humorado, caracterizado pela sua absoluta lealdade a Frodo. No decurso da estória tem progressivas oportunidades de demonstrar a sua resiliência, ganhando complexidade emocional e capacidade de iniciativa, até acabar por ser o grande responsável por Frodo conseguir alcançar o seu objetivo.

Boromir, pelo seu lado, começa por ser um típico herói de ação, empenhado no desígnio comum da Irmandade, mas deixa-se corromper pelo poder do Anel. Em consequência disso trai os companheiros, mas por fim percebe o seu erro e sacrifica-se pelo sucesso da missão.

Os arcos de personagem não têm de ser assim tão radicais e profundos para ser efetivos. Por vezes basta uma mudança subtil, mas sensível, para que esse mecanismo tenha efeitos na reação emocional dos espectadores.

Por outro lado, nem sempre é necessário haver um arco de transformação para uma estória gerar interesse e emoção.

Há muitas outras ferramentas e formas de conduzir os espectadores a um final satisfatório. Como sempre, tudo vai depender das nossas intenções enquanto autores.

Samwise Gamgee, um personagem complementar que também se transforma.

Relação com o Enredo

Os arcos dos personagens têm de estar profundamente relacionados com a evolução das tramas da estória, e essa relação deve ser bi-direcional.

Por um lado, são os eventos da estória que estimulam e provocam as transformações dos personagens. Por outro lado, é em função dessas transformações que os personagens podem tomar decisões diferentes das que tomariam inicialmente, o que implica mudanças na forma como a estória evolui.

Como já referi diversas vezes, numa estória de modelo clássico há sempre um protagonista que enfrenta obstáculos para alcançar um objetivo. Ou seja,

Alguém por algo luta.

É frequente que o protagonista só consiga alcançar esse seu objetivo depois de realizar o seu arco de transformação.

Mas noutras ocasiões, o protagonista só consegue perceber qual deve ser o seu verdadeiro objetivo depois da transformação se realizar.

Um exemplo do primeiro caso: no filme Liar Liar o advogado interpretado por Jim Carey é um mentiroso compulsivo que quer vencer um caso, ao mesmo tempo que procura recuperar a relação com o seu filho (os objetivos), mas só depois de magicamente ser obrigado a passar um dia sem mentir (a transformação) é que consegue alcançar ambos esses objetivos.

Um exemplo do segundo: em Bilhete para o Paraíso os protagonistas interpretados por Julia Roberts e George Clooney são um casal divorciado que se une para sabotar o casamento indesejável da sua filha (objetivo inicial), mas depois de verem a infelicidade que isso lhe vai causar (a transformação) percebem que o seu objetivo real deve ser refazer a sua própria relação (novo objetivo).

Em ambos os casos, o arco geral das estórias está intimamente ligado ao arco dos personagens: a trama motiva a transformação, e a transformação precipita a conclusão da trama.

Quando essa relação não existe, ou quando é forçada, os espectadores são rápidos a perceber a manha.

Por exemplo, se um personagem que foi caracterizado como medroso tem, de repente, uma atitude temerária, apenas por conveniência da trama e sem que essa mudança tenha sido justificada de alguma forma, a credibilidade da estória é posta em causa e dificilmente sobrevive.

É por isso fundamental pensar sempre nos dois lados da moeda:

  • Como é que a caracterização dos nossos personagens motiva as suas escolhas e influencia o evoluir da trama?
  • E como é que os eventos da trama contribuem para mudar a personalidade e comportamentos dos nossos personagens?

Relação com o Tema

O Tema, em dramaturgia, é dos aspetos mais difíceis de definir e de explicar.

Para mim, o Tema é a razão real que leva um autor a escolher escrever uma estória em vez de outra. É a contribuição que esse autor dá para alargar a visão do mundo dos seus leitores/espectadores.

De certa forma, é a “mensagem” da estória, uma mensagem que é tão mais eficaz e influente quanto mais subtil e discreta for a forma como é passada.

Conta-se que um presidente de um dos grandes estúdios americanos de meados do século passado dizia aos seus autores algo como: “Se querem enviar mensagens, vão aos Correios“.

Neste aspecto, o senhor tinha absoluta razão. Os filmes panfletários, com mensagens estampadas em cada imagem e gritadas em cada diálogo, são normalmente muito fracos e pouco interessantes.

Mas a verdade é que cada um de nós tem uma maneira de ver o mundo, e é expectável que essa visão se manifeste de alguma forma nas estórias que escrevemos.

O Tema é o reflexo da mundividência do autor, manifestada na forma como a estória se desenvolve e conclui.

Se, por exemplo, um autor acredita que “o poder corrompe“, é natural que uma estória sobre o processo de corrupção de um protagonista o interesse. E será inevitável que, no final, essa seja a “mensagem”, o Tema da sua estória.

O Arco de Transformação do protagonista é muitas vezes a forma mais evidente de ilustrar o Tema que se está a explorar.

Tomando como exemplo o tema de “o poder corrompe”, o tal autor poderia começar por mostrar como é o seu protagonista no início, quando ainda não tem o poder. E depois, gradualmente, iria orientar a estória para revelar, por um lado, a sua ascensão ao poder e, por outro, o efeito corruptor que essa ascensão tem na sua personalidade.

Se ele fizer bem o seu trabalho, como Francis Copolla e Mario Puzzo fizeram em O Padrinho, no final da estória os espectadores sentirão, mesmo que não o verbalizem, que o poder, efectivamente, corrompe.

O poder corrompe

Esse autor poderia ainda usar os arcos de outros personagens para explorar, ou até contradizer, os vários aspectos do Tema.

Por exemplo, um personagem poderia ser destruído na sua tentativa de aceder ao poder; outro poderia recusar o poder para fugir da corrupção a ele associada; e outro ainda poderia conseguir alcançar algum tipo de poder sem se deixar corromper por ele.

Dessa forma o Tema seria analisado de diversas formas, com perspectivas diferentes, construindo um discurso ainda mais rico e aliciante.

Tipos de Arcos de Personagem

De forma geral, podemos dividir os Arcos de Personagem em quatro grandes tipos: os Ascendentes, os Descendentes, os Variáveis e os Neutros.

Os Arcos Ascendentes correspondem às transformações em que os personagens terminam com qualidades, atitudes e comportamentos que podem ser considerados mais positivos e desejáveis do que os que tinham no começo da estória.

Um exemplo disso é o já referido advogado de Liar Liar, que começa como um mentiroso impenitente e termina como um pai dedicado e honesto.

Outro exemplo mais subtil seria a deliciosa Ruth Langmore, de Ozark, que, sem nunca deixar de ser uma criminosa, vai no entanto adquirindo ao longo da série diversas características positivas que a tornam num dos seus personagens mais queridos.

Outro exemplo ainda, igualmente subtil e cheio de nuances, poderia ser Mare Sheenan, de Mare of Easttown, uma detetive da polícia a quem não faltam defeitos e problemas, mas que no final da série consegue alcançar alguma paz interior… além de desvendar o crime.

Poderíamos encaixar aqui também Han Solo, de Star Wars, que começa (mais ou menos) neutro, como um piloto mercenário cínico e que só pensa em dinheiro, mas termina como um herói medalhado.

Mare, lenda de Easttown, mas cheia de problemas.

Pelo contrário, os Arcos Descendentes correspondem às transformações em que os personagens terminam com qualidades, atitudes e comportamentos que normalmente são avaliados como mais negativos e indesejáveis do que os que tinham inicialmente.

Muitas vezes os personagens começam num campo neutro ou já num campo negativo e vão-se enterrando cada vez mais no lodo moral ético.

É o que se aplicaria, por exemplo, à transformação de toda a família Byrde, em Ozark. De forma mais acentuada, como Marty e Wendy, ou menos, como os dois filhos, todos deslizam inexoravelmente para ações cada vez mais negativas ao longo das cinco temporadas da série.

Outras vezes, os personagens começam com características positivas notáveis mas vão adquirindo outras negativas, que acabam por sobrepor-se às primeiras, num processo irrevogável de corrupção.

Um dos exemplos mais paradigmáticos é o de Michael Corleone, de O Padrinho, que já referi muitas vezes. Começa por ser um herói de guerra que se quer manter afastado dos negócios sujos da família, mas termina como o seu chefe absoluto, capaz de tomar com frieza as decisões mais bárbaras.

Uma família em queda livre

Temos ainda os Arcos Variáveis, que se referem às transformações em que os personagens começam por mudar positiva ou negativamente mas depois invertem o rumo e terminam novamente no campo em que começaram, mas normalmente melhor ou pior do que no início.

Um exemplo são os Arcos de redenção, em o personagem começa numa posição positiva mas, no decurso da estória, cai para uma posição negativa. Apesar disso, em algum momento consegue inverter o rumo e, muitas vezes através do sacrifício pessoal, no final eleva-se para um patamar positivo.

É o caso do já referido Boromir, de O Senhor dos Anéis, o príncipe que cai em tentação mas depois se sacrifica pelo bem comum.

De certa forma, é também o que acontece com Walter White, o anti-herói de Breaking Bad. Apesar dessa fantástica série ser a estória do longo mergulho nas trevas de uma pessoa comum, o que a levaria a encaixar-se nos Arcos Descendentes, termina com uma lufada positiva, quando Walter se sacrifica para salvar o seu parceiro de crime e amigo Jesse.

Um exemplo bastante distinto dos anteriores é o de Tony, o protagonista de After Life. Incapaz de lidar com o luto da mulher, Tony tenta ativamente ser uma pessoa pior, mais fria e desprendida dos outros, mas acaba por regressar à pessoa que a mulher amava, um bom homem.

Mais raro, mas também possível, é o percurso inverso, o de um Arco falhado, em que um personagem negativo começa por melhorar mas acaba por reverter para as suas posições iniciais, ou ainda piores. Um grande exemplo deste arco encontra-se no western Imperdoável, em que o pistoleiro retirado William Munny se vê forçado a deixar o caminho de regeneração que tinha escolhido para voltar a ser um assassino implacável.

Outro exemplo pode ser encontrado em Alex, o protagonista de A Laranja Mecânica. Neste caso é o sistema judicial que tenta torná-lo numa pessoa melhor, mas falha miseravelmente no final.

O próprio Michael Corleone tem, no seu longo processo de corrupção, um momento em que se refugia na Sicília e parece conseguir deixar para trás o caminho negativo que encetara, mas isso é sol de pouca dura.

Tony quer ser mau mas o cão não deixa.

Finalmente, os Arcos Neutros correspondem às situações em que os personagens terminam a estória com as mesmas qualidades, atitudes e comportamentos, sejam eles positivos ou negativos, que tinham no seu início.

É o caso, por exemplo, de heróis como Indiana Jones, Sherlock Holmes ou James Bond, entre muitos outros heróis de ação, que não mostram (nem precisam) de mudanças significativas para prender a atenção dos espectadores.

Esta situação é também muito frequente em séries de televisão, especialmente nas séries procedurais, em que os protagonistas não sofrem transformações relevantes. O Dr. House é House o tempo todo; e o mesmo se pode dizer de Seinfeld, ou dos amigos de Friends e de Foi assim que aconteceu, ou, em registos completamente diferentes, dos protagonistas de Dexter, House of Cards ou 24.

O mesmo se passa com muitos dos grandes antagonistas e vilões do cinema e televisão. Ninguém quer que Michael Miers mude, que Hannibal deixe de ser “the Cannibal”, ou que Macbeth subitamente ganhe um coração generoso. Daniel Plainview, de There Will be Blood, e Patrick Bateman, de American Psycho, são narcisistas, violentos e totalmente negativos do início ao fim. Personagens como estes antagonistas e anti-heróis não precisam de se transformar para ser fascinantes e intemporais.

Mas, em todos os casos referidos, os autores, desprovidos do trunfo do arco de transformação, tiveram de encontrar outras soluções para prender a atenção e gerar as mais variadas emoções – e nos exemplos dados, conseguiram-no com sucesso.

Uma última nota: como não me canso de referir neste site, a Escrita não é Matemática e a ficção não é uma ciência exata, por isso todas estas classificações são incompletas, inexatas e discutíveis.

Mesmo assim, acho que ajudam a criar parâmetros de análise das estórias e a organizar os nossos processos mentais, o que é importante especialmente na fase da reescrita, mais racional.

O Arco de Revelação

Como também já referi noutro artigo, há ainda uma situação especial a que chamo de Arco de Revelação.

O Arco de Revelação refere-se às situações em que um personagem não se transforma realmente; ele só revela o que já era mas nós, leitores e espectadores, ainda não tínhamos percebido.

Um dos melhores exemplos é, sem dúvida, Annie Wilkes, a Antagonista do filme Misery. Annie é a maior fã de um escritor, Paul Sheldon, que, depois de sofrer um acidente de carro, é por coincidência recolhido e tratado por ela.

Mas o que parece ser uma coisa boa começa, aos poucos, a transformar-se num pesadelo quando a fã, enfermeira e anfitriã começa a revelar os seus lados mais escondidos e negativos, numa progressiva espiral de pesadelo.

Podemos também argumentar que o mesmo se passa com o supracitado Walter White, de Breaking Bad. Em muitas situações parece perceber-se que ele sempre foi aquele personagem racional, manipulador, implacável, às vezes cruel, mas que essas características estavam abafadas pela sua vida normal de professor.

É essa variedade de interpretações e opiniões acerca do arco de personagem de Walter White que o tornam um dos protagonistas mais carismáticos da ficção contemporânea.

A Annie parece tão simpática, não parece?

Etapas de um Arco de Personagem

É impossível escrever uma “receita” para os Arcos de Transformação, pois estes serão tantos e tão diversos como os próprios personagens que se transformam.

No entanto, há algumas etapas que encontramos com frequência, e que vale a pena considerar.

  • Em primeiro lugar, precisamos mostrar de alguma forma o que o personagem faz e acredita no início da estória, caso contrário não será possível perceber que houve uma transformação no final. Como sempre acontece na ficção audiovisual, isso deve ser feito através de situações que motivem escolhas e ações concretas do personagem.
  • De seguida, ao longo da estória, podemos ir criando situações que testem, de diversas formas, essas atitudes e comportamentos.
  • Através desses desafios às suas crenças, podemos introduzir pequenas mudanças nas formas de agir do personagem, à medida que ele percebe que escolhas diferentes levam a melhores resultados.
  • Mas é frequente que, face a um teste mais complicado, o personagem sofra uma recaída, refugiando-se nas suas atitudes e comportamentos iniciais.
  • Podemos aproveitar essa oportunidade para mostrar ao próprio personagem as consequências nefastas dessa recaída.
  • E isso pode conduzir a um momento de iluminação do personagem. Essa epifania pode ser manifestada de formas mais evidentes ou mais subtis.
  • Finalmente, podemos criar um teste definitivo, muitas vezes coincidindo com o próprio clímax da estória, em que o personagem tem oportunidade de demonstrar as suas novas atitudes e comportamentos. É frequente que a nova forma de agir do personagem seja precisamente o que conduz ao seu sucesso.
  • Com a comparação entre o que o personagem faz e acredita no início, e o que ele faz e acredita no final, conclui-se o seu Arco de Personagem.

Volto a frisar que estes passos são apenas indicativos, e cada autor deverá encontrar os que são mais adequados para a sua estória e personagens.

Juno, um arco subtil de transformação de personagem.

Conclusão

Desenhar o trajecto de um personagem que sofre, aprende com os seus erros, transforma-se e, graças a essa transformação, consegue finalmente atingir o seu objectivo, é uma grande fonte de satisfação no trabalho de um guionista/roteirista.

E é, também, uma das formas mais seguras e eficazes de satisfazer as necessidades emocionais dos espectadores.

João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e storyteller apaixonado por contar estórias e ajudar outras pessoas e marcas a contar as estórias delas. Divide o seu tempo entre Portugal, Brasil e Angola, tendo já escrito mais de 3500 páginas de guiões produzidos de longas metragens, telefilmes, séries de televisão e curtas.

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