Conheça os vencedores dos Óscares de Argumento 2022

Eu sei que o que todos vão recordar desta cerimónia dos Óscares é a bofetada que o Will Smith deu ao Chris Rock. Mas o importante, no fim de contas, são as escolhas que a Academia fez e os prémios que decidiu atribuir, nomeadamente nas categorias de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Argumento Original.

Os guiões candidatos aos Óscares deste ano correspondiam a filmes de grande diversidade de estilos e ambições. Havia desde grandes produções de Hollywood, como o Dune, até filmes extremamente pessoais, como Belfast.

Nas últimas semanas alguns prémios de associações da especialidade foram dando pistas sobre para onde o vento poderia estar a soprar. A Writers Guild, associação dos argumentistas americanos, por exemplo, premiou Don’t Look Up e CODA – No Ritmo do Coração.

Os escolhidos

A Academia decidiu, este ano, celebrar a emoção. Os dois argumentos escolhidos foram:

Argumento Original

Belfast – Escrito por Kenneth Branagh

Belfast é uma estória delicada, inspirada nas memórias de infância do próprio autor.

Em 1969, a cidade de Belfast estava em turbilhão, dividida pelos conflitos políticos de origem religiosa. Face a esta situação o protagonista, Buddy, é forçado a rever a precária imagem do mundo que construiu nos seus 9 anos de vida, especialmente quando colocado face à possibilidade de ter de deixar a cidade e a vida que lhe é familiar.

Argumento Adaptado

CODA – No Ritmo do Coração – Guião de Siân Heder

CODA é o acrónimo usado nos EUA para os “filhos de adultos surdos”, e descreve a situação da protagonista da estória, Ruby. Mas é também uma expressão usada para definir as partes finais de certas peças musicais. Essa dupla associação não é inocente, pois toda a estória de CODA – No Ritmo do Coração se desenrola em torno do dilema de Ruby, dividida entre o seu sonho de ser cantora e as necessidades especiais da sua família de surdos.

Nenhuma destas escolhas foi exatamente uma surpresa, apesar de também nenhum deles ser um candidato indiscutível. CODA – No Ritmo do Coração ganhou também o Oscar de Melhor Filme, uma dobradinha sempre muito cobiçada.

Felizmente, os dois argumentos premiados estão disponíveis para baixar, nestes links:

=> Belfast

=> CODA – No Ritmo do Coração

Recomendo que os descarregue rapidamente, pois por vezes são retirados de circulação depois da temporada dos prémios.

Leia-os, estude-os, e veja como os autores transformaram estórias extremamente pessoais em obras de alcance universal. É frequente dizer-se que “quanto mais pessoal, mais universal”, e estes excelentes exemplos parecem confirmá-lo.

=> Veja aqui a lista completa dos vencedores.

=> Baixe aqui os links os guiões vencedores, além de mais alguns guiões nomeados e outros argumentos recentes de destaque.

Conclusão

A cena entre Will Smith e Chris Rock foi um momento triste na estória dos Óscares. Não interessa o conteúdo da piada dirigida à família Smith; comediantes como Chris Rock passam frequentemente alguns limites, mas isso nunca deve ser resolvido com agressões físicas ou outros tipos de censura.

Já os prémios de argumento caíram em mãos bem merecedoras. Parabéns aos autores e a todos os argumentistas do mundo, por continuarem a criar estórias maravilhosas e emocionantes como estas.

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João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e storyteller que gosta de ajudar os outros a contar as suas próprias estórias. Divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal e já escreveu mais de 3500 páginas de guiões produzidos de curtas e longas metragens, telefilmes e séries de televisão.