“JEANNE DIELMAN” ENCABEÇA OS 100 MELHORES FILMES DE SEMPRE

De dez em dez anos a revista Sight and Sound faz um inquérito a um grupo diversificado de críticos de cinema, programadores, curadores e académicos (foram 1639 nesta edição) para escolher os melhores filmes de sempre. A vantagem desta lista é ser mais inclusiva e menos focada no cinema americano do que outras semelhantes. E este ano trouxe algumas surpresas.

A mais evidente é a entrada de um filme pouco conhecido, Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles, para o topo da lista[1], destronando o anterior líder, Vertigo.

Jeanne Dielman foi escrito e realizado pela belga Chantal Akerman em 1975, quando ela tinha apenas 25 anos, seguindo-se a várias curtas-metragens e à longa Je tu il elle, que lhe abriu as portas para esta obra, mais ambiciosa e bem conseguida.

O filme já constava da lista anterior, de 2012, mas nessa ocasião tinha-se ficado apenas pelo 35º lugar.

Uma década, e o alargamento da base de votantes, foi o suficiente para Jeanne Dielman ascender ao topo da classificação, empurrando o clássico Vertigo, escrito por Alec Coppel e Samuel A. Taylor e realizado por Alfred Hitchcock para o segundo lugar.

Vertigo desce para 2º lugar

Este, por sua vez, em 2012 tinha destronado Citizen Kane – O Mundo a Seus Pés, escrito por Herman J. Mankiewicz e Orson Welles e dirigido por Welles, que ocupava o lugar cimeiro desde o início da lista da Sight and Sound, em 1952.

Esta nova versão da lista fica também marcada por algumas entradas e saídas.

Ganharam lugar na lista alguns novos clássicos como Do the Right Thing de Spike Lee, e os mais recentes Get Out, Parasite, Moonlight e Portrait of a Lady on Fire.

Pela primeira vez, a lista abriu espaço para os filmes de animação, com duas obras primas de Hayao Miyazaki, as longas metragens Spirited Away e My Neighbor Totoro.

Naturalmente, para alguns entrarem, outros tiveram de sair. Foi o caso do polémico Intolerance, de D. W. Griffith, mas também de outros clássicos mais consensuais, como The Seventh Seal, Lawrence of Arabia, The Wild Bunch, Chinatown, Fanny and Alexander, Nashville, e Touch of Evil.

Destes últimos custa-me particularmente ver partir Chinatown, um dos meus guiões favoritos, e naturalmente Lawrence of Arabia, um dos maiores épicos de sempre.

Os dez mais votados

Os restantes títulos do top ten são todos bastante mais conhecidos do que o novo número um.

  1. Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975)
  2. Vertigo (1958)
  3. Citizen Kane (1941)
  4. Tokyo Story (1953)
  5. In the Mood for Love (2000)
  6. 2001: A Space Odyssey (1968)
  7. Beau Travail (1999)
  8. Mulholland Drive (2001)
  9. Man With a Movie Camera (1929)
  10. Singin’ in the Rain (1952)

Pode comparar estes dez mais com os de 2012. As diferenças são significativas.

  1. Vertigo (1958)
  2. Citizen Kane (1941)
  3. Tokyo Story (1953)
  4. 2001: A Space Odyssey (1968)
  5. La Règle du jeu (1939)
  6. Sunrise (1927)
  7. 8½ (1963)
  8. The Searchers (1956)
  9. Apocalypse Now (1979)
  10. Breathless (1960)

Para conhecer a lista completa de 2022, com dados sobre cada filme, visite o site do British Film Institute.

No mesmo site, pode ainda encontrar a lista completa de 2012.

O cinema não ocidental está bem representado, por exemplo com Tokio Story

Para terminar

A única conclusão que podemos tirar desta lista é que o cinema mundial oferece uma quantidade interminável de obras maravilhosas e desafiantes para todos os gostos.

Ver tantos filmes desta lista quanto possível vai ser um dos meus objetivos para 2023.

Graças à internet e às mais variadas plataformas de streaming que nela estão disponíveis, um desafio como esse, que seria impossível há algumas décadas atrás, está agora ao meu alcance. Estes são tempos incríveis.

Veja aqui o trailer de Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles.

Via: Collider e Mental Floss

Notas de Rodapé

  1. Eu, pelo menos, nunca tinha ouvido falar nele, e parece que não estou sozinho nessa limitação.[]

João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e storyteller apaixonado por contar estórias e ajudar outras pessoas e marcas a contar as estórias delas. Divide o seu tempo entre Portugal, Brasil e Angola, tendo já escrito mais de 3500 páginas de guiões produzidos de longas metragens, telefilmes, séries de televisão e curtas.

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